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Com a abertura de milhares de vagas com boa remuneração no serviço público, candidatos podem acreditar que será o fim do nome no Serasa. Mas, sem planejamento, pode ser o oposto.

O Concurso Nacional Unificado (CNU), também conhecido como “Enem dos concursos”, está oferecendo vagas com salários superiores a R$ 20 mil, uma oportunidade que promete transformar a vida de muitos brasileiros, permitindo que eles saiam de uma realidade inconstante para uma posição melhor. No entanto, é preciso fazer um alerta importante: não adianta ter um salário garantido se a educação financeira e previdenciária não acompanhar essa evolução. Além dos salários, servidores federais têm facilidade de acesso ao crédito e frequentemente se beneficiam de taxas de juros diferenciadas nessas operações.

Esse cenário é particularmente atrativo, mas pode se transformar em uma armadilha, levando a um mar de novas dívidas. “Ao contrário do que muitos pensam, um bom salário não necessariamente é sinônimo de estabilidade financeira”, afirma Cícero Dias, diretor-presidente da Funpresp, a entidade de previdência complementar do servidor federal. “Sem gestão desse novo salário, é possível que servidores ainda enfrentem dificuldades financeiras e endividamento. Não é incomum encontrar esse perfil”, aponta.

Educação necessária

A educação financeira é o conjunto de conhecimentos que permite às pessoas fazerem uma gestão adequada de seus recursos, principalmente o salário, mas pode haver renda de aluguéis e outras, planejando e controlando seus gastos, investimentos e poupando para o futuro. Para os novos servidores que perceberem que estão entrando em uma espiral de dívidas, a educação financeira é essencial antes mesmo de tomar posse.

É fundamental adotar um nível de gastos abaixo da renda e já considerar, no orçamento, a destinação de parte do salário para formar poupança e reservas financeiras. Parece trivial, mas nem todo mundo age dessa forma. “Muita gente se vislumbra com os salários e instalam despesas que não conseguem manter. E acabam se envolvendo num ciclo vicioso de endividamento”, explica Cícero Dias.

É importante também já começar a pensar na aposentadoria logo no início da carreira no serviço público. Isso porque, há mais de 10 anos, servidores que ingressam no serviço público não se aposentam mais com integralidade e paridade, o que significa que não recebem o último salário integral ao se aposentarem, e seus reajustes não são mais os mesmos dos servidores ativos. Assim, o servidor passou a ser o principal responsável pela própria aposentadoria. Por isso, é fundamental investir na educação previdenciária também.

“Claro que o servidor que acabou de entrar no serviço público quer usufruir daquele dinheiro pelo qual ele se esforçou tanto, e a orientação não é não gastar, guardar tudo, manter a vida de antes. É claro que dá para usar o próprio dinheiro, mas com sabedoria, com calma, com organização, para não cair nas dívidas”, orienta Cícero Dias.

Para ajudar nesse processo, instituições públicas renomadas oferecem cursos gratuitos e online de educação financeira e previdenciária. São exemplos o Instituto Saberes, do Senado Federal, o Tribunal de Contas da União e o Banco Central. Basta procurar no site dessas instituições para aprender a melhor maneira de organizar o seu novo salário e sua tão sonhada aposentadoria como servidor federal.