Evento sobre educação financeira e previdenciária reuniu especialistas renomados e mais de 600 pessoas
Rentabilidade, taxa de juros, inflação, cenário político no Brasil e internacional e perspectivas para o ano de 2025. Esses foram alguns dos pontos que nortearam a discussão do terceiro e último painel do Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público “Quem Planeja Realiza”. Organizado pela Funpresp-Exe, Funpresp-Jud e DF-PreviCom, o evento reuniu quase 600 pessoas de forma presencial e online.
Com moderação do diretor-presidente da Funpresp-Exe, Cícero Dias, a discussão do Painel 3, cujo tema foi “Investimentos – Cenários e Políticas“, girou em torno do mercado de investimentos, volatilidade e estratégias de alocação em planos de previdência complementar, com foco nas políticas de investimento e governança. Também participaram: Getúlio Ost, head da Gestão de Fundos de Renda Fixa na SulAmérica; e Nilza Morais, diretora de Investimentos na DF-PreviCom.
“No primeiro painel do Seminário, falamos um pouco sobre educação financeira e comportamento. Também trouxemos muitas estatísticas relevantes que foram complementadas pelo debate que a gente ouviu no segundo painel, com números e evidências de que estamos vivendo mais. E a gente precisa se preocupar como vai estar nossa renda no futuro. Como fazer isso acontecer? Como fazer a gestão desses recursos no dia a dia? Foi sobre isso que discutimos no terceiro painel do evento”, explicou Cícero Dias.
O diretor-presidente da Funpresp-Exe iniciou sua fala recapitulando o que foi discutido nos painéis anteriores e falou sobre governança de investimentos. Ele citou, por exemplo, que a Política de Investimentos da Funpresp-Exe é elaborada pela Diretoria de Investimentos e passa pelo Comitê de Investimentos da Fundação, pela Diretoria Executiva, e depois é apresentada aos comitês dos Planos ExecPrev e LegisPrev que, por sua vez, a submetem para aprovação final do Conselho Deliberativo. Dias também destacou que toda essa estrutura de governança da entidade é formada por servidores e participantes dos planos de benefícios da fundação.
“Essas políticas estão fundamentadas em uma resolução do Conselho Monetário Nacional, que estabelece limites de aplicações por segmento de aplicação, limites por tipo, por emissor e por outros critérios. Portanto, a gente tem toda uma regulamentação. Não é a direção das entidades que escolhe aleatoriamente onde investir. Existe todo um processo de governança prévio até que as nossas equipes entrem nas mesas de operação para aplicar recursos”, destacou Dias.
Ao entrar na discussão, Getúlio Ost iniciou sua fala destacando as perspectivas para 2025 em um cenário de taxas de juros elevadas. “Não existe momento mais favorável para renda fixa que esse mundo de juros altos”, afirmou. Para ele, esse contexto indica que seria mais cômodo adotar uma postura cautelosa e conservadora na alocação dos recursos.
A partir dessa análise, Getúlio trouxe uma reflexão sobre a importância da diversificação e do impacto das escolhas de alocação nas carteiras de investimentos. “Será que devemos ser tão míopes e focar apenas em 2025? Ou precisamos alongar nosso horizonte de investimentos e pensar na verdadeira função dessa alocação para as entidades de previdência? Estou falando de trabalhar em uma composição de carteira. É claro que você pode ser conservador em parte, mas também deve aproveitar as oportunidades que estão surgindo para garantir um retorno real”, concluiu.
Nilza Morais falou sobre o desafio em dar retorno no curto e no longo prazo. No debate, a diretora de Investimentos na DF-PreviCom sobre mercados voláteis: “o reflexo do que está acontecendo com as taxas de juros é colher volatilidade”. Para ela, um dos maiores desafios das entidades de previdência é manter os participantes informados sobre a volatilidade e administrar a rentabilidade no curto e no longo prazo: “O brasileiro não está muito acostumado a riscos”, afirmou.
“Esse é o grande desafio dos gestores nesse momento. Quando você está trabalhando com previdência, você está olhando um horizonte muito longínquo. A gente faz alocações visando o longo prazo, mas a gente deixa um espaço para usar na gestão tática para diminuir essa volatilidade. Ter volatilidade, ter risco, ter uma cota negativa incomoda. Volatilidade faz parte do jogo. Como nós vamos administrar para amenizar esses impactos? No final das contas, o importante é entregar resultados no longo prazo”, enfatizou Nilza Morais.
Assista ao Painel 3 no vídeo a seguir:






