Educadora e planejadora financeira, Paula Bazzo defende que planejamento financeiro não começa pelo dinheiro, mas pela pessoa

“Planejamento financeiro não começa pelo dinheiro, mas pela pessoa”. A declaração é da educadora e planejadora financeira Paula Bazzo. Para ela, a ideia de que organizar as finanças é apenas abrir uma planilha, somar gastos ou cortar supérfluos é um erro que impede muitas pessoas de avançar. O verdadeiro ponto de partida, segundo Paula, é compreender a própria identidade financeira, ou seja, quem você é, qual sua realidade de vida hoje e o que deseja construir para o futuro.
O assunto foi discutido em um dos painéis do Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público “Quem planeja realiza”. A mediação do painel cujo tema foi “Para além da previdência: organização financeira, investimentos e mercado financeiro na prática” ficou por conta de Daniel Evaldt, Diretor-Presidente da DF-PreviCom. Da discussão, participaram Paula Bazzo, palestrante, educadora e planejadora financeira, e Paulo Portinho, gerente de Educação e Inclusão Financeira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Paula ilustrou esse argumento com um exemplo simples: a tendência de copiar investimentos de outras pessoas. Ela contou o caso fictício de Paulo, um investidor com renda estruturada, previdência robusta e seguro pessoal. Quem tenta replicar suas escolhas sem a mesma proteção se expõe a perdas significativas. Essa falta de identidade, segundo ela, aumenta a vulnerabilidade a decisões impulsivas, como contrair crédito consignado ou recorrer a apostas e soluções rápidas.
A educadora também abordou um dos pontos que, para ela, é mais mal compreendido: a relação com as dívidas. Paula afirma que “a dívida é um sintoma, não o objetivo”. Para ela, visando apenas “sair da dívida”, a pessoa tende a repetir comportamentos que já tinha e voltar ao mesmo ciclo. O objetivo real deve ser maior: construir dignidade, estabilidade e qualidade de vida. Quitar dívidas é apenas uma etapa desse caminho e não o destino final.
“Se eu estou endividada, o meu objetivo não pode ser ‘sair da dívida’, porque, quando eu sair, eu posso fazer outra. O objetivo tem que ser maior do que a dívida. Agora, se o meu objetivo é construir uma qualidade de vida que reflita a dignidade que eu tenho hoje e a que eu desejo viver, quitar a dívida vira apenas uma etapa desse processo. O movimento é mais longo, mas com etapas claras. A dívida pode ser uma meta do meio do caminho, nunca o objetivo”, contou.
Para Paula, planejar não é se restringir, mas compreender onde se está e para onde se quer ir, construindo uma ponte entre o presente e o futuro desejado. “Educação financeira vem com a clareza de onde estou”, concluiu.
Em um cenário de incertezas, sua abordagem reforça uma mensagem essencial: o planejamento financeiro é sobre pessoas e sobre escolhas conscientes que constroem dignidade. “Renda não é para pagar o mês, é para pagar a vida”, finalizou.
Sobre o Seminário de Previdência
O Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público “Quem planeja realiza” é resultado de uma parceria entre a Funpresp-Exe, Funpresp-Jud e DF-PreviCom que, neste ano, teve apoio do Conselho da Justiça Federal. O objetivo do evento foi promover debates e oferecer informações sobre educação financeira e previdenciária, proporcionando aos participantes ferramentas para construir um futuro financeiro mais seguro.
Os painéis foram transmitidos pelo canal da Funpresp-Exe, da Funpresp-Jud e da DF-PreviCom no YouTube. A seguir, você assiste à transmissão no momento em que o painel se inicia.

