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Evento sobre educação financeira e previdenciária reuniu especialistas renomados e mais de 600 pessoas

“Pla, Pou, Cré”. Os acrônimos que formam o trio “planejamento, poupança e crédito” são base para uma série de recursos de educação financeira ofertados gratuitamente pelo Banco Central do Brasil. A dica foi dada pela chefe da Divisão de Educação Financeira do Bacen, Ana Márcia Fonseca, durante um dos painéis realizados no Seminário de Previdência Complementar do Servidor Público “Quem Planeja Realiza”.

Realizado em conjunto com a Funpresp-Exe, Funpresp-Jud e DF-PreviCom, o evento reuniu especialistas renomados no mercado de investimentos e previdência e contou com a participação de quase 600 pessoas. O Painel 1, que também teve a participação de Aquiles Mosca, CEO da BNP Paribas Asset Management, com moderação de Marco Antônio Garcia, diretor de Administração da Funpresp-Jud, abriu a discussão sobre “Educação Financeira e Cidadania”.

Durante sua apresentação, Ana Márcia deu dicas de conteúdo, de ferramentas e recursos para que os servidores públicos pudessem melhorar o seu letramento financeiro e soubessem como lidar bem com o dinheiro. Segundo ela, quando há planejamento, os riscos de entrar em uma dívida reduzem de forma considerável. “Não vou dizer que a gente está isento de risco, mas a gente tem menor risco de cair nos vieses de consumo”, contou.

“A gente acredita que educação financeira é um caminho para a gente multiplicar sonhos. E não é porque essa é uma frase bonita. Há pesquisas indicando que a gente consegue ter um maior letramento financeiro. Às vezes, a gente toma decisões relacionadas ao nosso dinheiro assim, meio que num impulso. Mas o bem-estar financeiro individual é maior se a gente sabe lidar bem com o dinheiro”, alertou.

Dentre os recursos ofertados pelo Banco Central, citados pela especialista durante o Painel, estão: cadernos educativos, cartilhas, folhetos e vídeos na série especial “Eu e meu dinheiro”. Ela contou ainda que há orientações do Bacen para indicar o que fazer quando cair em um golpe financeiro. Ela mencionou também a Escola Virtual de Governo da Enap, que oferta cursos online gratuitos de gestão de finanças pessoais.

Além disso, ferramentas como o “Meu Bolso em dia”, que calcula o índice de saúde financeira, e o projeto “Aprender valor”, que leva educação financeira desde a infância, estão entre as ferramentas disponibilizadas pelo Governo Federal a todos os brasileiros. “Informação, formação e ação. Então essa busca por informação e formação também é importante para então você, por fim, tomar as suas próprias decisões de ação”, concluiu.

Os perigos das bets

Na sua apresentação, Aquiles Mosca, CEO da BNP Paribas Asset Management, destacou uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que apontou uma dura realidade: 3% dos aposentados no Brasil conseguem se sustentar com recursos próprios. Os outros 45% precisam de ajuda dos familiares, 26% reduzem o padrão de vida e 26% continuam trabalhando.

Mas uma ameaça recente às finanças dos brasileiros, segundo Aquiles, são as atuais casas de apostas, as famosas “bets”. A Socio-economic Indicators, pesquisa do The World Back, mostrou que, até 2018, o Brasil não aparecia entre os 15 países que mais apostam no mundo, cenário que mudou desde 2020. Ele contou que as “bets” passaram a ser mais do que um problema financeiro, mas um problema de saúde. “As pessoas estão viciadas em jogo”, disse.

“O Brasil passou para 1º lugar entre os países mais apostadores do mundo, lugar que sempre foi ocupado pelos ingleses. Hoje, somos o dobro do mercado inglês, que sempre foi o maior mercado mundial. O bicheiro literalmente está morando no nosso bolso. E isso é grande parte do problema. Não existe aposta responsável. Todas as campanhas publicitárias das ‘bets’ agora estão vindo com esse tema da aposta responsável, mas isso é jogo de azar”, alertou.

Aquiles mostrou ainda uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que revelou em 2023 que 14% dos brasileiros apostaram online. “E não só apostaram, como consideram essas apostas – e mencionam isso espontaneamente – como um investimento. São 22 milhões de brasileiros numa economia onde 64% da população não poupa nada”, encerrou destacando que não existe aposta responsável.

A seguir, você pode assistir ao Painel 1 completo do Seminário “Quem planeja realiza”: