Especialistas em previdência do regime próprio e complementar se reuniram nessa quinta-feira, 25/06, em uma videoconferência, para debater os investimentos durante a crise desencadeada pelo novo coronavírus. A convite da Associação Nacional de Entidades de Previdência dos Estados e Municípios (Aneprem), na figura de seu presidente, Heliomar Santos, participaram da live: o diretor-presidente da Funpresp, Ricardo Pena; Marcelo Rabbat, sócio executivo da Vinci Partners; Vinícius Borini, gerente executivo da Caixa Asset; Vitor Leão, da Lema Consultoria; e Leonardo Rosa, diretor de Investimentos da OstrasPrev. Para assistir ao debate na íntegra, clique aqui.

Todos os debatedores concordaram que a crise de 2020, provocada por razões sanitárias e de saúde, é diferente daquela vivida em 2008. O principal motivo é que taxas de juros vão permanecer baixos, diferentemente de 12 anos atrás, quando os juros começaram a subir ao fim da parte mais aguda da crise. Nesse contexto, segundo os gestores, a primeira opção é a renda variável. A segunda é o investimento no exterior para fins de diversificação.

Sobre isso, Pena lembrou que a diversificação nesses títulos tem sido a estratégia da Funpresp desde março, pouco antes do início do processo de agravamento da crise. “Com o juro real muito baixo, a gente tomou a decisão de acelerar nossa diversificação. Ainda estamos muito concentrados em títulos públicos, porque temos fôlego para longo prazo, mas, enxergando o momento, a renda variável tem sido um objetivo. Investimento no exterior é uma novidade, entramos nele também procurando diversificação. Uma carteira diversificada traz uma robustez maior ao fundo”, disse.

Cenários – No geral, os participantes do debate viram com cautela o futuro próximo, já que ainda não é possível vislumbrar como a pandemia vai impactar o comportamento da sociedade e da economia real, nem quanto tempo esses efeitos vão durar. “Se discutem dois cenários: uma segunda onda de contaminação ou a retomada das atividades econômicas”, opinou Pena. “Não acredito em nenhum dos dois enquanto não houver uma vacina ou um coquetel confiável de remédios. Aposto num cenário de continuidade de incertezas. Assim, o importante para nós é a perspectiva de longo prazo”, completou.